Esperei por ti o
tempo suficiente para me irritar de tal maneira que acreditei que quando
chegasses eu seria tudo menos doçura. Sabes o quanto odeio esperar. E detesto
quando nem sei quanto tempo ainda contar nesta espera.
Quem sabe seja
isto uma coisa boa, quem sabe esta irritação te atire para fora do teu espaço.
Vou zangar-me e tirar-te do sério, como sempre. Vou perder a paciência e tu
vais perder a noção, como sempre. Pode ser que desta vez não acabe tudo bem,
como sempre.
Chegas sem nada
nas mãos, mas com uma saudade no olhar que me faz chegar ali agora mesmo, tal
como tu. Afinal não esperei nada e somos toda a doçura que cabe num abraço
apertado.
É um amor que
rasga a pele e transforma todas as vontades e teorias. É um amor que só pode
ser para sempre. Mesmo que não seja. É um amor que entende, que explica, que é
maior.
Mas é um amor que
preenche mas que não repousa. De que serve amar assim se em vez de tranquilidade
é uma constante tempestade? Compensa deixar a bola de neve crescer quando já se
sabe que não há espaço para ela passar, que os braços não chegam para a
segurar, que está gelada demais para manter as mãos ao lhe tocar?
É um amor sem fim
mas sem meta. E esse não pode ser um amor para sempre.
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